Híbridas podem alavancar energia solar no Brasil

lucas

Estudo aponta que a combinação de fontes poderia promover uma redução entre 3% e 13% do investimento em relação às usinas separadas; economia no O&M seria entre 3% e 16%

A combinação de fontes de geração distintas (porém, complementares) vem sendo discutida no mundo todo, em especial em países como China, Índia, Reino Unido, Austrália e Estados Unidos. No Brasil, a solução vem sendo estudada desde 2015 pelos agentes do setor elétrico, principalmente com o objetivo de tornar mais previsível a produção das fontes renováveis. Os agentes ouvidos pela Agência CanalEnergia estão certos de que esse novo arranjo permitirá que o setor supere barreiras técnicas e comerciais que poderiam vir a limitar a expansão das fontes eólicas e solar na matriz elétrica, além de abrir caminho para a introdução de tecnologias ainda pouco usadas no mundo, como sistemas de armazenamento de energia e usinas reversíveis. As híbridas também podem alavancar os investimentos em energia solar no país, na medida em que os proprietários de parques eólicos em operação começaram a apostar nas híbridas.

O que conceitualmente parece ser o único caminho a ser perseguido, no entanto, apresenta alguns desaos técnicos, regulatórios e comerciais que precisam ser endereçados. “Estamos sensíveis a esse tema, de tal forma que mesmo diante de diversos outros desaos que temos na Aneel vamos tentar endereçar isso o mais rapidamente possível”, armou o diretor da agência reguladora Sandoval Feitosa. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) instaurou consulta pública para colher contribuições para elaboração de regulamentação da geração híbrida. As contribuições podem ser envidadas até 3 de agosto de 2019. Para a Aneel, o tema é considerado inovador, disruptivo e bastante importante para o setor elétrico brasileiro.

A combinação de mais de uma solução de geração deverá se tornar algo comum em um futuro próximo. No leilão realizado em 31 de maio, para atendimento do mercado do estado de Roraima, algumas soluções híbridas já foram contratadas, por exemplo. “É importante que a gente regulamente esse tema rapidamente para dar segurança aos investidores”, reforçou Feitosa. “Em termos de expectativa, o que posso dizer é que estamos focados nesse tema. É uma demanda de mercado e vamos encontrar os equilíbrios necessários”, complementou o diretor.

Considerando o planejamento energético, a geração híbrida teve uma breve menção pela primeira vez no Plano Decenal de Energia (PDE-2027). O Ministério de Minas e Energia (MME) disse que considera importante aprofundar as análises com vistas a implementação dessas usinas no Brasil. “A nossa expectativa é de que o compartilhamento das instalações será benéco para os empreendedores e principalmente para os consumidores, considerando a possibilidade de redução de custos para a implantação devido ao compartilhamento de terrenos e do sistema de transmissão associado à geração de energia”, declarou Reive Barros, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME.

Segundo o representante do governo, não há barreiras políticas ou econômicas que impeçam a geração híbrida. Também não há obstáculos legais, garantiu a advogada Heloisa Scaramucci, sócia da PVG Advogados para área de estruturação de negócios. “Do ponto de vista legal, não será preciso mudança em lei ou decreto. O tema está no âmbito da Aneel, sobretudo em como funcionaria as diferentes combinações de fontes e formas de conexão na rede”, explicou. “Temos conversado com muita gente e o tema das usinas híbridas surge em quase todas as conversas. Há vários players pensando em projeto-piloto, tem gente querendo investir. É algo que está no radar do setor”, completou a advogada.

O diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Erik Rego, disse que o órgão apoia a iniciativa do mercado em implementar soluções de geração que combinem diferentes fontes primárias. Num primeiro momento, os estudos estão focados na combinação solar/eólica, uma vez que as fontes têm correlação negativa quase perfeita em algumas regiões do país, com no estado da Bahia, para citar um exemplo. “Quando implementar o preço-horário, as usinas híbridas vão proporcionar aos geradores uma melhor capacidade de gerenciamento de risco, uma vez que a solar e a eólica têm entregas diferentes dependendo do horário do dia”, lembrou Rego. O preço horário está previsto para entrar em 1º de janeiro de 2020.

Segundo nota técnica n° 29/19 produzida pela EPE, a experiência internacional mostra que há grandes diculdades de implementação das usinas híbridas, principalmente sobre o ponto de vista comercial e regulatório. A combinação de duas fontes de geração distintas operando complementarmente vem sendo estudada em vários países, como Índia, Reino Unido, Austrália e Estados Unidos. No Brasil, o tema ganhou mais força com a expectativa de entrada do preço horário de energia, previsto para janeiro de 2020.

As usinas híbridas são vistas como uma forma de otimizar o uso da rede de transmissão, bem como como reduzir a variabilidade diária e mensal das fontes eólica e solar. Outras questões podem fazer com que seja interessante construir usinas de fontes diferentes no mesmo local, como aproveitamento de terreno, ganhos sinérgicos na construção, operação e manutenção.

A EPE sugere que, num primeiro momento, se estude a retirada das barreiras regulatórios para esse tipo de solução para o ambiente livre e, após um melhor entendimento de seus benefícios e diculdades, estude a extensão para o mercado regulado. A EPE também recomenda que não sejam criados subsídios ou regras especícas para esses arranjos em leilões do mercado regulado neste momento.

DEMANDA DE MERCADO

As usinas híbridas surgem como uma resposta do mercado diante de algumas limitações das fontes renováveis. Menos poluentes e sem custo de combustível, usinas eólicas e solares são ótimas soluções para a produção de energia elétrica barata com baixo impacto ambiental e por isso contam com um forte apoio da sociedade moderna.

No Brasil, a fonte eólica já alcança 15 GW instalados, enquanto a solar tem ganhado cada vez mais espaço na matriz, principalmente dentro da modalidade de geração distribuída. O Brasil já instalou 2,4 GW de energia solar, sendo 827 MW de GD (jun/19). Até 2023 a fonte eólica deverá alcançar 17,2 GW (9,7% da matriz) e a solar 3,6 MW (2% da matriz, desconsiderando a GD).

No entanto, as fontes renováveis dependem da disponibilidade do recurso natural, seja ele água, Sol ou vento. Em se tratando de hidrelétricas com reservatórios, essa sazonalidade é minimizada em função da capacidade de armazenamento. O mesmo não acontece com a geração fotovoltaica e eólica. Os empreendedores têm buscado soluções para tornar a geração solar e eólica mais exível, para usar um jargão técnico do setor. Do contrário, a continuidade da expansão dessas fontes poderá enfrentar obstáculos dentro do planejamento energético. Isso porque para permitir a ampliação das renováveis seria necessário contratar térmicas fósseis e capilarizar ainda mais a malha de transmissão.

A solução encontrada pelas renováveis para serem ainda mais ecientes está na combinação de diferentes tecnologias já existente, de modo a resolver todos esses problemas de ordem operacional e comercial. O passo seguinte será adicionar sistemas de armazenamento de energia com o uso de baterias de lítio, cujos custos estão caindo a cada ano.

“A solução de energia híbrida permite a integração de um ou mais ativos de geração de energia renovável com sistemas de armazenamento de energia personalizados – calor ou bateria – aumentando a rentabilidade do projeto”, armou Roberto Prida, diretor-geral Onshore da Siemens Gamesa no Brasil. “A solução é adequada a todos os territórios onde há potencial para geração eólica e solar, e sem dúvida o Brasil é um excelente candidato”, completou.

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Renato Volponi, contou como começou o interesse por usinas híbridas. Segundo ele, chamou a atenção da entidade o avanço da energia solar e como ela se complementa com a eólica, principalmente na região Nordeste do Brasil, em que os melhores ventos estão no horário noturno.

A ABEEólica, então, se juntou a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e a Associação Produtores Independentes de Energia (Apine) em busca de respostas. As entidades contrataram a Universidade de São Paulo (USP) e a consultoria MRTS. A investigação focou na combinação de fontes eólica e solar para simplicar o objeto de estudo.

Volponi tem convicção de que a usina híbrida é um negócio viável tanto do ponto de vista técnico quanto econômico, pois promove o uso eciente da transmissão, reduz custos de implantação e operação/manutenção dos projetos de geração. O arranjo reduz bastante o problema de inexibilidade das novas renováveis, provendo uma curva de carga mais comportada, o que também facilitará a vida do Operador Nacional do Sistema (ONS) na outra ponta. Para os investidores, esse arranjo pode signicar redução de riscos, consequentemente redução de preços de energia. E quem ganha é o consumidor.

O advogado especializado no setor elétrico, Frederico Boschin, sócio do escritório Souza Berger Advogados, explica que muitos dos problemas no setor elétrico brasileiro veem da limitação do sistema de transmissão, embora se tenha uma malha com mais de 141,3 quilômetros de linhas, com a perspectiva de chegar a 185,4 km em 2023. No Brasil, os recursos eólicos e solares com maior fator de capacidade de produção está no Nordeste, mas o principal centro de consumo é o Sudeste/Centro-Oeste, o que exige naturalmente mais linhas de transmissão. “Uma das grandes vantagens do Brasil é a total interligação, coisa que é raríssima no mundo. Conseguimos exportar grandes volumes de energia de um ponto a outro”, armou Boschin.

“Mesmo assim o Brasil é muito carente de linhas sucientes para escoar todos os projetos. Como a solar gera durante o dia e a noite não gerada nada, a linha de transmissão ca ociosa”, explicou Márcio Trannin, conselheiro da Absolar para assuntos de geração centralizada. “A Absolar vê com bastante interesses o tema das usinas híbridas”, armou o executivo.

Segundo a regulação vigente, o gerador precisa contratar a transmissão considerando a potência máxima usina. Ocorre que essa geração máxima não acontece 100% do tempo, deixando as linhas ociosas em parte do dia. A ideia da geração híbrida é justamente aproveitar melhor o sistema de transmissão reduzindo essa ociosidade.

Roberta Bonomi, responsável pela Enel Geen Power no Brasil, disse que a denição de certos aspectos comerciais e regulatórios serão fundamentais para expansão desses projetos híbridos. Dentre os pontos a serem discutidos, destacam-se a necessidade de adaptação da regulamentação para contratação de um único montante de usos do sistema de transmissão (MUST) igual à potência instalada total promovida pelo empreendimento; a busca por metodologia de cálculo e revisão da garantia física de usinas híbridas; a sistemática para leilões de expansão; o modelo de contratação da energia produzida; e a utilização de armazenamento de energia nas usinas híbridas. Tudo isso leva um tempo. “Há alguns desaos técnicos que de forma alguma são intransponíveis e nem difíceis de serem superados”, garantiu Trannin.

Os investimentos em sistemas de geração que combinem diferentes tecnologia têm acontecido em vários países no mundo, inclusive no Brasil. A Índia é o país que demonstra mais interesse no arranjo eólica-solar. O país estabeleceu uma meta de atingir 175 GW de renováveis em 2022. Em 2018, o país lançou uma política para geração híbrida. Em maio do ano passado, foi feita a primeira tentativa de contratação de projetos desse tipo, com meta de contratar 2,5 GW. O leilão foi adiado diversas vezes e em dezembro foi nalmente realizado, com a contratação de 840 MW. Apenas duas empresas zeram ofertas. Em 2019, um segundo leilão foi realizado com demanda de 1.200 MW. Foram contratados 900 MW, com dois interessados.

A Siemens Gamesa informou que participou da construção do primeiro projeto comercial híbrido ongrid na Índia, combinando um sistema solar de 29 MW com um parque eólico de 50 MW. O projeto foi instalado em 2017.

Segundo estudo “Co-Location Investigation – A study into the potential for co-locating wind and solar farmsin Australia”, contratado pela Agência Australiana de Energias Renováveis (Arena), a combinação de fontes poderia promover a redução no investimento entre 3% e 13% em uma usina solar com eólica em relação à uma fotovoltaica em outro local. A economia na operação e manutenção seria entre 3% e 16%. Próximo a Camberra, há as usinas Gullen Solar Park (10 MW) e Gullen Range Wind Farm (165 MW). Outro caso é o projeto Kennedy Energy Park, anunciado em 2017, que combinará 15 MW de fotovoltaica, 43,2 MW de eólica e 2MW/4MWh de baterias de íonlítio.

Neste ano, a Siemens Gamesa está trabalhando em um parque eólico combinado com baterias na Austrália. O projeto Bulgana consiste num parque eólico de 195 MW combinado com uma bateria de lítio de 20 MW.

Nos Estados Unidos, estão em operação os projetos Califórnia Pacic Wind (140 MW), Oasis Wind (60 MW) e Catalina Solar (143 MWp), da empresa EDF Renewables. No estado de Nevada, a Enel Green Power construiu uma usina híbrida unindo energia geotérmica (33 MW), fotovoltaica (27 MW) e solar térmica (2 MW). No estado de Minnesota, foi anunciado em 2017 que seria instalado um projeto híbrido integrado adicionando 1 MWp fotovoltaico a 4,6 MW de eólicas existentes (Red Lake Falls Project).

No Reino Unido, empresa sueca Vatenfall instalou 5 MW de potência fotovoltaica junto a uma eólica existente de 8,4 MW no País de Gales (Parc Cynog Wind/solar farm), e o conjunto vem operando desde abril de 2016.

Na China, a State Grid em parceria com a BYD colocou em operação em 2012 um projeto híbrido demonstrativo na cidade de Hebei, incluindo 100 MW de energia eólica, 40 MW de fotovoltaica e 36 MW de baterias de íon-Lítio. Há expectativa de expansão da planta para até 500 MW de eólica, 100 MW de fotovoltaica e 110 MW de baterias de diferentes tecnologias, com um investimento estimado próximo aos US$ 2 bilhões.

No Brasil, há diversos geradores de energia estudando as usinas híbridas. Lucas Araripe, diretor da Casa dos Ventos, disse que estuda o tema há quatro anos. “Onde a gente tem portfólio eólico, instalamos estações solarimétricas e começamos fazer medições para entender a complementariedade das fontes”, disse. “Como tem muita eólica já instalada, as usinas híbridas vão incentivar investimentos em usinas solares”, observou. O diretor da principal desenvolvedora de projetos eólicos lembra que o preço da fonte eólica caiu nos leilões para valores abaixo de R$ 100/MWh, enquanto o custo da transmissão tem aumentado.

Desde agosto de 2015, a italiana Enel Green Power opera duas usinas (adjacentes) em Pernambuco. O complexo Fontes compreende 11 MW de solar e 80 MW de capacidade eólica. Juntos os empreendimentos são capazes de produzir cerca de 17 GWh/ano, o equivalente ao consumo de aproximadamente 90 mil residências brasileiras. “Durante a construção dos parques renováveis adjacentes foi possível experimentar ganhos que certamente serão espelhados em futuros empreendimentos, como o aproveitamento da infraestrutura mobilizada, neste caso, da subestação que originalmente foi construída para o parque eólico Fontes dos Ventos e hoje é também utilizada por Fontes Solar”, disse Roberta Bonomi, da Enel.

Em junho deste ano, a BC Energia também inaugurou um projeto de usinas adjacentes, que combina a CGH Rio Bonito (1,5 MW) e uma usina solar com 1,3 MWp, na cidade de Caiapônia, em Goiás. A escolha das fontes nesse caso, disse o presidente da empresa, Alessandro de Brito Cunha, considerou a complementaridade bastante forte das duas tecnologias. Na região onde estão as plantas há dois períodos bem denidos (seco e úmido). O projeto pode ser considerado ainda um piloto, disse o executivo. Isso se deve ao fato de que ainda não há regulação sobre o tema no Brasil e por isso não há o compartilhamento do custo de conexão, que é feito pela demanda contratada e não por geração.

A Votorantim Energia também possui um projeto-piloto para implantação de usina solar associado ao parque eólico Ventos de São Vicente, nos municípios de Curral Novo e Betânia, no Piauí.

Outro tipo de combinação seria a implantação de painéis fotovoltaicos no espelho d’água de usinas hidrelétricas. Já existem projetos-piloto participantes do programa de P&D da Aneel nas usinas de Balbina (AM), Porto Primavera (SP) e Sobradinho (BA). Outra opção seria a utilização de fontes intermitentes com usinas hidrelétricas reversíveis, as quais servem como armazenamento de energia em forma de volume de água em seus reservatórios.

Além da combinação de fontes renováveis, é possível também fazer a associação entre fonte fóssil e renovável, como o caso da usina da Voltalia que combina geração a diesel com solar, em Oiapoque, no Amapá. Esse tipo de arranjo permite a instalação de usinas em regiões remotas com pouco ou nenhum acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Fonte: Canal Energia

Casa dos Ventos investirá R$ 2,4 bi em complexo eólico no RN

 

35236942492 10c52ca424 o 2.jpg edit

De olho no mercado livre, empresa pretende fazer com que clientes se tornem sócios do projeto, isentando-se de tributos por produzirem própria energia; com potência instalada de 445 MW, complexo pode ter capacidade dobrada em segunda etapa

A desenvolvedora de projetos de energia Casa dos Ventos investirá cerca de R$ 2,4 bilhões em um complexo de geração eólica no Rio Grande do Norte, que ainda poderá ter a capacidade quase duplicada no futuro. “O recurso eólico em Rio do Vento (no RN) está entre os melhores do mundo”, afirma Lucas Araripe, diretor de novos negócios da Casa dos Ventos. “Tem vento constante, de velocidade, alta densidade e com desvio padrão muito baixo: quando junta-se esse vento excepcional com a grande escala do projeto, chega-se a um custo de geração de energia muito baixo.”

O empreendimento terá potência instalada de 445 megawatts, com equipamentos da dinamarquesa Vestas, que fornecerá 106 turbinas ao complexo. O valor do contrato não foi divulgado.

Os suportes do motor serão produzidos na fábrica da Vestas no Ceará, enquanto que as pás e torres também serão produzidas localmente, de acordo com as regras do Finame II do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Modelo de negócio
Segundo Araripe, cerca de 5% da produção já foi vendida em leilão realizado pelo governo brasileiro no ano passado, enquanto o restante será oferecida a consumidores no chamado mercado livre de eletricidade, no qual grandes empresas podem negociar diretamente seu suprimento. “Trabalhamos agora para vender essa energia”, afirmou. “Estamos conversando com grandes consumidores.”

A empresa irá agora buscar financiamentos junto ao BNDES e ao Banco do Nordeste (BNB) para o empreendimento, que tem operação prevista para o segundo semestre de 2021. Também não estão descartadas emissões de debêntures para levantar recursos.

O complexo eólico de Rio do Vento é dividido em diversas usinas, e eventualmente os interessados poderão fechar contratos que incluam uma opção de compra futura de uma ou mais unidades do parque.

Ao se tornar sócios do projeto, os clientes podem ter acesso à energia por custos menores, afirmou Araripe. A regulação do setor elétrico isenta de alguns encargos empresas que investem na produção da própria eletricidade. “Podemos assinar contratos normais de longo prazo ou dar ao cliente a opção de compra de uma fatia do projeto referente ao consumo dele, para ser sócio”, disse. “Ele vira sócio depois, sem o risco de implantação e construção.”

O projeto da Casa dos Ventos tem potencial para uma segunda fase que poderia levar a capacidade a 950 megawatts. Tanto a linha de transmissão quanto a subestação do empreendimento serão construídos levando em conta essa futura expansão.

De acordo com Araripe, a expansão deverá ser viabilizada mais à frente, devido a limitações para conexão à rede na região do parque.

Enquanto isso, a empresa deve fazer o próximo investimento em um projeto de até 400 megawatts na Bahia, para o qual pretende começar a buscar contratos após concluir as negociações para venda da energia de Rio do Vento.

Araripe disse ainda que pretende replicar nos novos projetos a estratégia adotada no Rio Grande do Norte, negociando uma parcela mínima de energia em leilões do governo para depois buscar contratos no mercado livre. Isso porque os valores pagos pela energia leilões federais têm caído em meio ao interesse de investidores pelos contratos e a baixa demanda por energia, que acirram a competição nos certames, nos quais vencem usinas com menor tarifa final.

*Matéria do jornal O Estado de São Paulo


Outras fontes

Fonte: Estadão
Fonte: Folha de S. Paulo
Fonte: DCI
Fonte: O Povo
Fonte: Terra
Fonte: UOL 
Fonte: Valor Econômico

Casa dos Ventos focada em grandes consumidores

35598895450 c29fe12a33 z 3
 

Consumidores buscam energia de fontes renováveis

 

BrandVoice Casa dos Ventos 210319 Divulgacao1

Os projetos eólicos da Casa dos Ventos totalizam 16,5GW

A Apple, Facebook, Google. Algumas das gigantes globais de tecnologia já estão perto de alcançarem a meta de contar com 100% de energia renovável para abastecimento de suas operações. Não estão sozinhas: Ambev, Walmart e Ikea, entre outros grandes consumidores, também vêm seguindo uma tendência global de adotar fontes de energia limpa e cada vez mais competitivas como parte de suas estratégias de negócios.

Em um mundo preocupado com os efeitos da ação do homem no clima, no meio ambiente e, por consequência, em nosso próprio futuro, os novos contratos diretos entre geradores e consumidores superaram 13,4 GW de potência instalada em 2018, consideradas apenas as fontes eólica e solar, segundo a Bloomberg New Energy Finance. Isso representa mais que o dobro do que foi contratado em relação a 2017, tendo como protagonista o continente americano. De acordo com o relatório do International Renewable Energy Agency (Irena), em 2018 o fornecimento corporativo de energia limpa ultrapassou 500 TWh, montante superior à demanda total de eletricidade da França, por exemplo.

BrandVoice Casa dos Ventos 210319 Divulgacao2

Parques eólicos desenvolvidos pela Casa dos Ventos: capacidade para atender à crescente demanda das empresas

No Brasil, um dos primeiros e maiores contratos corporativos com essas características foi anunciado em janeiro entre a Vale S.A e a Casa dos Ventos, uma das pioneiras e maiores investidoras no desenvolvimento de projetos eólicos no país. Com potência instalada de 151,2 MW, o parque eólico Folha Larga Sul, na Bahia, possui energia contratada por 23 anos, o que, além da sustentabilidade, garante a previsibilidade no preço da energia para a mineradora.

BrandVoice Casa dos Ventos 210319 Divulgacao4

“Em adição à contratação de longo prazo, desenvolvemos um modelo onde concedemos a opcionalidade para o cliente de se tornar autoprodutor. Nesse formato, ficamos responsáveis pela construção e operação do empreendimento, tendo nosso parceiro a possibilidade de tornar-se acionista do ativo, em uma estrutura que garante a isenção de uma série de encargos setoriais, otimizando ainda mais o custo final de energia”, explica Lucas Araripe, diretor de Novos Negócios da Casa dos Ventos.

MODELO CUSTOMIZADO

Com a crescente competitividade das fontes eólicas e o aumento da procura de grupos industriais – sobretudo os de siderurgia e mineração, que têm a energia como despesa relevante – por soluções sustentáveis e personalizadas, a Casa dos Ventos mantém um braço de soluções para o ACL (ambiente de contratação livre) dedicado a desenvolver produtos e contratos customizados para grandes consumidores. Negociações em andamento incluem a energia gerada por um complexo eólico, no Rio Grande do Norte, que pode chegar a 420 MW e deve entrar em operação em 2021.

image011

A Casa dos Ventos é uma das pioneiras e maiores investidoras no desenvolvimento de projetos eólicos no Brasil. Há mais de dez anos no mercado, é responsável pelo desenvolvimento do maior número de projetos que comercializaram energia em leilões regulados e no ambiente de contratação livre no país. Além de ter desenvolvido aproximadamente 30% de todos os empreendimentos em implantação ou operação no país, a empresa é detentora do maior portfólio de projetos eólicos do Brasil. Os projetos eólicos da companhia estão localizados no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Piauí e totalizam 16,5GW. Apesar do foco em geração eólica, a empresa tem diversificado a atuação para outras fontes, desenvolvendo um dos maiores portfólios de projetos fotovoltaicos do país e expandindo a capacidade instalada de sua usina hidrelétrica. “Temos auxiliado grandes empresas a consumirem energia da maneira mais eficiente e sustentável possível. Estamos estruturando novas parcerias em função do nosso grande portfólio de projetos no Nordeste do país”, finalizou Araripe.

Fonte: Forbes Brasil

Vale compra energia de eólica da Casa dos Ventos

CGE Ventos de Tiangua Norte AEG 16

 

SÃO PAULO (Reuters) - A mineradora Vale assinou com a desenvolvedora de projetos de energia Casa dos Ventos contrato para a compra por longo prazo da produção do parque eólico Folha Larga Sul, na Bahia, em negócio que inclui opção de aquisição da usina pela Vale no futuro, segundo comunicado da companhia nesta terça-feira.

“A parceria é mais um passo na estratégia da Vale de atingir 100 por cento de autoprodução de energia elétrica no Brasil até 2030 utilizando energia de fontes renováveis”, acrescentou a empresa.

O anúncio vem após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) publicar nesta terça-feira aprovação sem restrições para a aquisição do parque eólico. 

Segundo a Vale, o projeto envolvido na transação terá uma potência instalada de 151,2 megawatts quando concluído e deverá entrar em operação comercial no primeiro semestre de 2020.

 

O investimento no empreendimento será de responsabilidade da Casa dos Ventos, disse a mineradora.

A fala da Vale sobre a meta de chegar a 2030 com uso apenas de energia renovável confirma informação publicada pela Reuters com fontes em outubro, de que a mineradora avaliava fixar uma meta para atender 100 por cento de sua demanda por energia com fontes limpas.

Fonte: Reuters

Saiba mais sobre a Casa dos Ventos