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O empresário Mário Araripe é responsável pela criação da maior empresa de energia eólica do país, a Casa dos Ventos. Apesar de esta ser a sua atuação no presente, o cearense acumula trabalhos nas áreas da construção civil, indústria têxtil e automobilismo (como detentor da Troller). No ranking da Forbes Brasil com os 170 bilionários brasileiros, Mário apareceu, no ano passado, entre os 50 primeiros colocados da fila.

Como você se descobriu empreendedor do setor eólico?

Eu havia vendido a Troller para a Ford e estava analisando novas oportunidades, com o objetivo de investir em algo que desse retorno e, ao mesmo tempo, tivesse um efeito benéfico para a sociedade. A energia é um dos pilares da economia e a fonte eólica - mesmo incipiente naquela época, em 2007 -, me parecia a mais promissora.

Qual a prioridade que o nosso Estado tem nos seus investimentos?

Ao lado da Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte, o Ceará, em especial, é um dos principais estados em que desenvolvemos nossos projetos. Em 2016, inauguramos um complexo eólico no município de Tianguá, fruto de um investimento de R$ 800 milhões, empreendimento este que tem capacidade para atender aproximadamente 150 mil residências. Não só temos potencial para expansão nessa região, como temos um portfólio de projetos sendo desenvolvidos em outros municípios do Estado.

Quais as mudanças no setor eólico, em escala nacional, você enxerga hoje em comparação à época em que ingressou nesse mercado?

Em 2007, quando fundamos a Casa dos Ventos, a capacidade instalada de energia eólica no País era de apenas 245,6 MW, não chegava a 0,5% da matriz elétrica brasileira. Hoje o cenário é diferente. Ultrapassamos o Canadá e assumimos a oitava posição entre os países com maior capacidade instalada em usinas eólicas. O setor amadureceu bastante com o avanço tecnológico e a vinda dos principais fabricantes de aerogeradores para o Brasil. Os investidores internacionais voltaram seus olhos para o País, mudando o perfil da concorrência e promovendo um processo de consolidação. A energia eólica foi a que mais cresceu nos últimos dez anos, e não é por acaso. Ela é a alternativa mais barata de se gerar energia no Brasil e isso tem que ser valorizado. Apesar do passado recente ter apresentado pouca contratação dada a recessão econômica que passamos, o País começa a dar sinais de recuperação e, consequentemente, abrir um cenário para a retomada dos leilões.

Fonte: Diário do Nordeste