Mario Araripe ganhou notoriedade por ter vendido sua fábrica de jipes Troller para a Ford, em 2007. Especula-se que o empresário cearense, de 59 anos, tenha embolsado US$ 500 milhões com o negócio. Hoje, porém, Araripe é famoso em outro ramo, o setor de energia eólica, tendo se transformado em um dos principais "empresários dos ventos" do Nordeste.

Ex-aluno do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Araripe fundou a Casa dos Ventos em 2006, passando a atuar em uma área que, de certa forma, também está relacionada ao setor aéreo. A empresa possui um mapa detalhado dos ventos do Brasil e, hoje, é apontada como a principal desenvolvedora de parques eólicos do país.

Todos os projetos desenvolvidos e implantados pela Casa dos Ventos, incluindo aqueles que já foram vendidos pela empresa, somam uma capacidade instalada de 2.530 MW, afirma Lucas Araripe, filho de Mário, que responde pela diretoria de desenvolvimento de negócios da empresa. Juntos, esses empreendimentos demandariam investimentos estimados em R$ 10 bilhões.

A Casa dos Ventos vendeu projetos de geração eólica para CPFL, Desa, Energisa, Atlantic e Copel, entre outras. Os ventos brasileiros estão entre os melhores do mundo para geração de energia elétrica: além de constantes, as rajadas sopram numa só direção, possibilitando melhor aproveitamento.

"Nosso foco é identificar as chamadas jazidas eólicas, que possuem potencial para geração de energia em grande escala", afirma Lucas. Esses locais, explica, oferecem as condições necessárias para a instalação das "aeroelétricas", ou parques de grande porte, acima de 500 MW de potência.

As jazidas eólicas seriam equivalentes às grandes usinas hidrelétricas. Os ganhos de escala permitem diluir os custos, o que torna o megawatt produzido pelos empreendimentos mais competitivo. As eólicas já produzem a energia mais barata no Brasil, depois das grandes hidrelétricas, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, o que explica o sucesso dessa fonte de energia nos últimos leilões do governo.

"Investimos no conhecimento para reduzir as incertezas", diz Lucas. Segundo ele, a Casa dos Ventos possui uma classificação própria, batizada de "investment grade", para os empreendimentos eólicos. Usinas com essa nomenclatura oferecem grau baixo de surpresas quando entram em operação. Para isso, a empresa coloca uma torre de medição dos ventos a cada dois quilômetros e possui uma quantidade de aparelhos sofisticados que nenhuma outra empresa detém no Brasil, incluindo 10 equipamentos do tipo Sodar e seis do tipo Lidar. "Instalamos uma torre a cada dois dias", diz o executivo. Hoje, a Casa dos Ventos possui 300 torres de medição, afirma.

Além de estudar os ventos e desenvolver projetos, Mário Araripe também é sócio de vários parques, seja por meio da Casa dos Ventos ou do grupo Salus. "Pela primeira vez neste ano, começamos a ter 100% dos empreendimentos", afirma Lucas.

Sobre a possibilidade de abrir o capital da Casa dos Ventos, como fizeram a Renova e a CPFL Renováveis, o executivo descarta essa hipótese. Isso porque, segundo ele, os investidores não saberiam ainda calcular um preço justo para os projetos que a empresa possui em carteira. Juntos, esses projetos teriam capacidade instalada para gerar 15 mil MW, volume maior que todos os parques eólicos em operação no Brasil, que devem alcançar em 2014 uma capacidade de produção de 7,6 mil MW.

Fonte: Valor Econômico