Trabalhar no setor de energia eólica, principalmente quando se fala de cargos mais seniores, requer especialização. Edson Zaparoli, 62, ingressou na área depois que se aposentou da vida acadêmica. 

Com 35 anos de experiência no departamento de energia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) como professor associado, Zaparoli fez a graduação, o mestrado e o doutorado em engenharia mecânica aeronáutica no ITA. Seu trabalho na academia sempre foi ligado a calcular o escoamento de fluidos usando computadores. "A energia do ar em movimento ¬ vento ¬ é basicamente isso", explica ele. Daí, a migração para o setor de energia eólica foi natural. "No final da minha vida acadêmica a energia eólica começava a ganhar força no Brasil, então passei a me interessar em adaptar os cálculos para o vento."

Desde 2014, Zaparoli ocupa o cargo de diretor de avaliação de recurso eólico na Casa dos Ventos. Seu trabalho consiste em, primeiro, descobrir os locais onde há vento. Depois, Zaparoli e sua equipe fazem o processo de medição e calculam como o vento varia de uma posição a outra e de acordo com o relevo e tipo de solo. "Eu já fazia isso nas minhas pesquisas, mas não aplicado a solo e sim a outros equipamentos", diz.

Para ele, há boas perspectivas para quem quer seguir carreira na área. A recomendação do experiente Zaparoli é que o jovem interessado no segmento não pare de estudar ao terminar a graduação. "É importante logo pensar em fazer uma pós", diz.

Diretor de operação e manutenção da CPFL Renováveis, Adriano Vignoli, 46, é responsável pela gestão da operação e manutenção das 81 usinas da companhia, que englobam quatro fontes distintas: parques eólicos, pequenas centrais hidrelétricas (PCH), termelétricas movidas à biomassa e solar. 

No começo da carreira, em 1988, Vignoli já trabalhava com energias renováveis. Só que, naquela época, era restrito a PCH e biomassa. "Não existia mercado de energia solar e eólica no Brasil", conta. "A partir do momento que o mercado começou a investir nessas outras fontes fui tendo contato com elas." 

Formado em engenharia elétrica, Vignoli entrou para a multinacional americana Brookfield Renewable (na época chamada de Brascan Energy) em 2002 e a partir daí teve um contato mais direto com outras fontes de energia, como a eólica ¬ ainda incipiente no Brasil. "Comecei a entender como funcionava e era gerenciada", diz. "Naturalmente, pelo crescimento do segmento e por já estar em empresa que investia nesse setor, fui tendo espaço no mercado." 

Vindo de uma carreira técnica, Vignoli sentiu necessidade de aprimorar seus conhecimentos em gestão e negócios na medida em que crescia na carreira. Por isso, fez um MBA na Fundação Getulio Vargas. "Busquei o MBA para equilibrar o conhecimento técnico e a experiência que eu já tinha com ferramentas e conhecimento de gestão." 

Para ele, assim como para Zaparoli, carreiras no setor de energia eólica são promissoras. "Hoje já temos um mercado representativo, mas por ser um segmento novo ainda não temos uma quantidade satisfatória de profissionais brasileiros amplamente capacitados para trabalhar no setor", afirma.

Élbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, diz que há profissionais estrangeiros ocupando cargos mais altos no setor. Mas, segundo ela, as empresas tendem a preferir executivos brasileiros. "Porque entendem as especificidades do mercado nacional", afirma

 

Fonte: Valor Econômico - 28/07/2016