Os setor de energia eólica do Brasil teme que a forte queda na demanda por eletricidade leve o governo federal a contratar menos usinas movidas a vento nos próximos anos, o que prejudicaria desde desenvolvedores de parques até fabricantes de equipamentos.

"A indústria está preparada para uma demanda (em leilões) de entre 2 gigawatts e 3 gigawatts por ano", alertou a vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Eólica, Rosana Rodrigues dos Santos.

Em 2015, os leilões federais, contrataram 5,4 gigawatts, dos quais 1,2 gigawatts em usinas eólicas. Os números já apresentam retração ante os 7,6 gigawatts contratados em 2014, quando foram fechados contratos para 1,4 gigawatts em eólicas.

Segundo ela, o governo tem sinalizado com a intenção de contratar eólicas neste ano por meio de leilões de reserva, que podem ser realizados independentemente da demanda das distribuidoras por novos contratos, uma vez que têm como objetivo aumentar a segurança do suprimento.

Não existe, no entanto, uma perspectiva de quanto poderia ser contratado nessas licitações.

O consumo de energia elétrica no Brasil em 2016 deverá cair 1,7 por cento ante 2015, segundo projeção da associação que reúne distribuidoras.

A preocupação com os leilões futuros foi expressada também pelo diretor financeiro da desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos, Ivan Hong.

"Há um risco de desequilibrar um pouco a indústria, seria muito ruim ter um 'buraco' de contratação", disse.

Rosana e Hong falaram nesta quarta-feira durante encontro sobre energia eólica promovido pelo banco Santander, que tem buscado apresentar os negócios a investidores para viabilizar financiamentos e emissões de debêntures incentivadas para empreendimentos no setor eólico.

As incertezas atingem também outro ramo das energias renováveis, o das usinas solares.

O diretor de project finance do Santander, Diogo Berger, disse que o risco de um ritmo menor de contratações também tem sido citado frequentemente por investidores interessados em instalar no país fábricas de equipamentos para energia solar.

Os primeiros leilões para contratação de usinas fotovoltaicas do país aconteceram em 2014 e 2015, e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chegou a dizer que a meta do país é promover contratações anuais.

"Eles estão preocupados com o cenário do país, principalmente de demanda", afirmou Berger.

EXPORTAÇÕES

Em meio a esse cenário, já há indústrias que começam a olhar para a possibilidade de exportações de turbinas a partir do Brasil.

"Com dólar a 4 reais, Brasil pode estar competitivo (para exportar", apontou o gerente de vendas para energias renováveis da norte-americana GE, William Boger.

Ele disse ainda que a GE enviou um diretor à Argentina para prospectar negócios no país, que tem atraído investidores após a posse do presidente Mauricio Macri, que busca reativar a economia do país melhorando as condições para realização de negócios.

NORDESTE É O ALVO

Segundo os especialistas que participaram do evento do Santander, a expansão da energia eólica no Brasil deverá se dar cada vez mais com parques no Nordeste do país, onde os ventos são mais constantes, o que fará com que o Sul, onde foram instaladas as primeiras usinas, perca espaço ao longo do tempo.

O sócio-diretor da certificadora de projetos Camargo Schubert, Odilon Camargo, disse que a maior parte dos novos projetos no Sul deverá ser de empresas estatais, como a Eletrosul, da Eletrobras, que tem forte atuação na região.

Fonte: Yahoo